sábado, 23 de julho de 2011

Exame da OAB: 89% de reprovação. Quem é o culpado?

Por Luiz Flávio Gomes (Jurista e Cientista Criminal)

15.07.2011 O maior índice de reprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aconteceu no primeiro semestre de 2011: 9, em cada 10 candidatos, foram reprovados. Se computarmos os resultados de 2008 pra cá, com certeza, foi o maior índice de reprovação.
Noventa faculdades de direito não tiveram um único aluno aprovado. De quem é a culpa por tanta reprovação?

É comum, quando buscamos culpados para os graves problemas nacionais, atribuir responsabilidade ao “sistema” (quem não tem CPF nem CNPJ). As reprovações massivas no exame da OAB constituem, no entanto, uma exceção, porque aqui todo mundo atribui culpa a todo mundo (“Errar é humano. Botar a culpa nos outros, também” – já dizia Millôr Fernandes, brasileiro, escritor e humorista).

A OAB joga toda culpa nas faculdades (aliás, repita-se: 90 delas não aprovaram um único aluno no último exame). As faculdades culpam a complexidade da prova (que é elaborada pela FGV). Realmente, tem havido problemas nessa elaboração. Culpam também os alunos (que, efetivamente, não estudam, em regras; que chegam à faculdade muito mal preparados, que não sabem ler, que não compreendem o que lêem etc.).

Os alunos culpam os professores (que não preparam as aulas), assim como as faculdades (que só querem ganhar dinheiro etc.) e a própria OAB (que estaria fazendo reserva de mercado). Também culpam o MEC por não fiscalizar bem as faculdades. Os professores culpam seus salários (insuficientes para se dedicarem à docência).
No final, cada um tem sua parceria de culpa. O que fazer?
As faculdades não podem ser soberbas e achar que seus alunos não necessitam de apoio. Não podem ignorar que o Direito muda todos os dias no Brasil. Ou muda a lei ou muda a jurisprudência. O aluno, se possível com o auxilio da faculdade, necessita rever tudo que aprendeu nos anos anteriores. Muita coisa que ele aprendeu no primeiro ano não vale mais nada. Tudo mudou. Exemplo: tudo que o aluno aprendeu de medidas cautelares penais mudou no dia 4 de julho deste ano. O Direito é dinâmico. Quem não faz uma recordação geral e uma atualização antes da prova dificilmente passa.

O aluno tem que se conscientizar de que a prova ficou mais difícil. Para vencer obstáculos, tem que ter disciplina nos seus estudos. Quatro ou cinco horas por dia seriam o ideal. Não basta aprender, é preciso memorizar. Há técnicas para isso. O procedimento de memorização exige a repetição daquilo que foi aprendido. A repetição é a mãe da aprendizagem, já diziam os latinos.

Se o exame da OAB é mesmo necessário (e é), a melhor postura das faculdades e dos bacharéis descarteirados consiste em entender e aceitar a lógica natural das coisas: fazer de tudo para enfrentá-lo com sucesso. Avante!

Nenhum comentário:

Postar um comentário