domingo, 12 de fevereiro de 2012

O conceito de consumo

Por Rafael da Silva Marques

Atualmente o conceito de consumo está umbilicalmente ligado à economia. Consumir é, antes de tudo, comprar, despender parcela econômica de capital para adquiri uma coisa. E isso faz girar a economia. Quanto mais se consome mais renda há. Mais o dinheiro circula, criando empregos e renda. E isso se reforça frente á sociedade do hiperconsumo. Na maioria das vezes compramos bem mais do que necessitamos, levados pela propaganda que imbute no inconsciente o dever de consumir e a relação do consumo com a felicidade. Quem consome é feliz. E por isso compramos cada vez mais. O que não nos damos conta é que o prazer da compra, mesmo que de um carro de luxo, não dura mais do que umas semanas. No momento em que a compra se torna banal, deixa de ser novidade para quem compra, o objeto do desejo passa a ser outro. Outro carro, outro celular e assim o circulo vicioso do consumo sem propósito se faz. Consumir, contudo, não é isso. Consumir não é sinônimo de comprar. O conceito econômico de consumo o aproxima do comprar. E a economia domina o mundo da vida e nos faz seres econômicos, o que na verdade, não somos. Somos seres humanos. Fora dos padrões de vida ativa de ter, comprar, pegar, comer, beber, existe uma forma de consumir chamada contemplar, ver, cheirar, sentir. Pequenos prazeres de consumo que afastam os conceitos econômicos e aproximam mais o ser humano de uma vida de satisfações mais duráveis e permanentes.Ir às livrarias, por exemplo. Não para comprar e ter os livros. Até porque a grande maioria dos livros comprados não são lidos (se fossem a sociedade não seria tão consumista creio), mas sim para sentir a energia positiva, sentir o calor dos escritores que, um dia, fizeram de uma pequena história um romance, de um pequeno caso de amor o amor... de uma pequena tragédia um ato de heroísmo. Consumir é isso. É entrar num café e tomar um café e ler um livro, olhar as pessoas, pensar no que elas estão pensando. Ver as reações delas. De alegria, tristeza, decepção, prazer. Consumir o intocável. Consumir a alma do outro e alma dos que já não estão, através dos livros, discos, filmes. Isso é consumir. Consumir é sentir. É poder passar de forma contemplativa a experiência do viver. A energia positiva do consumo fora das teias econômicas é pura. Não está embutida do ganho, da “mais valia”, do preço...do quanto custa. Não preciso comprar o livro. Posso ler a contracapa e imaginar o que tem dentro dele. E imaginar como contaria a mesma história, e criar no meu mundo uma história ainda mais fascinante, para mim. Deixar de comprar não é deixar de consumir. É consumir de uma forma diferente, menos ativa e gananciosa. É buscar a energia positiva da imaginação e do contato além da posse e da propriedade. É viver uma vida de idéias muito além de uma vida de mercadorias.

Por Rafael da Silva Marques, juiz do Trabalho substituto

FONTE ESPAÇO VITAL

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